Visita à Pampulha: Museu de Arte e Casa do Baile
O arquiteto Oscar Niemeyer tem desde projetos sensacionais até projetos dos quais é melhor nem comentar, tornando-o um "arquiteto de fases". Em uma de suas boas fases, ele fez o projeto do Conjunto Arquitetônico da Pampulha (Belo Horizonte – Minas Gerais). Ele é composto por quatro grandes obras que são: Museu de Arte, Casa do Baile, Igreja São Francisco de Assis e o Pampulha Iate Clube.
Em especifico farei um comentário sobre o Museu de Arte da Pampulha (MAP) e a Casa do Baile baseado na nossa visita aos locais no dia 20 de agosto de 2010.
MAP
O MAP foi o primeiro projeto de Niemeyer na Pampulha. Funcionou como cassino, o primeiro da cidade, até ser fechado em 1946 devido à proibição do jogo no país. Inspirado pelos "Cinco Pontos da Nova Arquitetura"¹ propostos pelo arquiteto francês Le Corbusier¹, o arquiteto pode ousar no projeto, utilizando, assim, curvas, pilares, vidros, espelhos. O fato de ter sido projetado para ser um cassino, a obra é bem luxuosa bem representada, por exemplo, pelo acabamento em pedras semi preciosas e pilares internos contornadas por aço, tudo para ostentar o brilho e glamour para a burguesia. Os pilares dão uma sensação de que estamos flutuando, principalmente na parte interna do museu, que quando estamos olhando para a parte externa, através dos vidros, temos a sensação de estarmos por cima da lagoa da Pampulha. Os espelhos usados por Niemeyer remete à uma sensação de amplitude e visualização de todo o local. Além disso, ele utiliza esses espelhos como forma de manter o luxo e o equilíbrio com os vidros que há na obra, e ainda aproveita para colocar, atrás desses, a área de serviço do museu, separando-a de uma forma bem inteligente da área comum ao museu. Ao mesmo tempo em que Niemeyer tenta manter a homogeneidade em sua obra, ele quebra parâmetros ao inserir azulejos portugueses, remetendo às nossas origens.
 |
| Museu de Arte da Pampulha |
|
 |
| Espelhos | | | | |
|
 |
| Pilares contornados por aço, e sensação de estar flutuando. |
Na parte externa temos os jardins de Burle Marx que são bem ousados. Ele passou anos pesquisando sobre as plantas brasileiras, de uma forma para quebrar a típica moda dos jardins com plantas européias e colocar jardins com plantas brsileiras. Além disso, Burle Marx de certa forma nos obriga, de forma bonita e inteligente, a caminhar pelo jardim, colocando tipo um trajeto a ser percorrido por ele. Esses caminhos, combinados com a bela vista para a Lagoa da Pampulha, tornam um ambiente agradável e tranquilo. Além das plantas tipicamente brasileiras e o caminho a ser percorrido, os jardins também contam, como decoração, esculturas de Ceschiatti e Zamoyski.
 |
| "Nu" de Zamoyski |
 |
| "Abraço" de Ceschiatti |
 |
| Visão geral do jardim com seus caminhos |
 |
| Jardim frontal |
|
|
|
Casa do Baile
Nesse projeto, Niemeyer se ocupou das curvas propondo uma integração total com o ambiente da Lagoa. A planta se desenvolve a partir de duas circunferências que se tangenciam internamente, que foi mais uma proposta inteligente proposta pelo arquiteto. Nessas duas circunferências pode-se observar novamente a área de serviço independente, sem ser mostrada diretamente aos transeuntes. A menor delas é o salão, e a maior, que envolve o salão, tem os banheiros e a área de serviço. Das circunferências desprende-se uma marquise sinuosa, bem provocante ao olhar e que dialoga com as curvas da represa. Essa marquise é suportada por colunas e termina em outro pequeno volume de forma amebóide. À frente desse volume tem um palco circular envolto por um lago.
Na parte da estrutura externa há frisos que foram colocados como forma de diminuir a intensidade solar na área de serviço, além dos vidros que davam uma vista ao por - do - sol.
Recentemente ela passou por um processo de revitalização (que é preferível nem discutir o quão “belíssima” ela foi) e hoje o espaço abriga usos e variados fins comerciais.
 |
| Casa do Baile - Visão Geral |
 |
| Marquise |
 |
| Marquise chegando à amebóide com o placo |
|
 |
| Casa do baile antes e depois da revitalização |
|
0 comentários:
Postar um comentário